Com vocês, Manoel de Barros

Um poema para animar a manhã... de Manoel de Barros, um poeta matogrossense.

"A maior riqueza do homem é a sua incompletude.
Nesse ponto sou abastado.
Palavras me aceitam como sou - eu não aceito.
Não aguento ser apenas um sujeito que abre portas, que puxa válvulas,
Que olha o relógio, que compra pão às seis horas da tarde,
Que vai lá fora, que aponta lápis,
Que vê a uva, etc. etc.

Perdoai,
Mas eu preciso ser Outros.
Eu penso renovar o homem
Usando borboletas."

O drama da água na escala global

Artigo do jornalista Washington Novaes publicado em 27 de março no jornal O Estado de São Paulo. Vale a pena refletir, sempre, sobre os números assustadores que se referem à questão da água.

O Fórum Mundial da Água, encerrado no último fim de semana em Istambul, com a presença de 28 mil delegados de 182 países, trouxe à tona informações dramáticas sobre esse setor no mundo, bem como recomendações para a Convenção do Clima, reuniões do G-8, governos e outras instâncias de decisão.

A começar pelo fato de mais de 1 bilhão de pessoas já não terem acesso a água de boa qualidade e 2,5 bilhões não disporem de redes de coleta de esgotos. Como a população mundial continuacrescendo à razão de 80 milhões de pessoas por ano, são mais 64 bilhões de metros cúbicos anuais no consumo global de água, diz o relatório Water in a Changing World, de 26 agências da ONU.
Além disso, acentua o documento, as pressões continuam crescendo: as hidrelétricas, que respondem por perto de 20% da energia no mundo, são cada vez mais solicitadas para reduzir as fontes poluidoras derivadas do carvão, do gás e do petróleo – e isso significa mais barragens quando, segundo a Comissão Mundial de Barragens, já existem 45 mil no mundo (só as com pelo menos 15 metros de altura), mais de 80% do fluxo dos rios é interrompido e vários dos grandes rios não chegam mais aos oceanos (Colorado, Amarelo e outros).
A agropecuária, que usa cerca de 70% da água, aumenta seu consumo com a demanda de alimentos (1 quilo de trigo exige de 400 litros a 1 mil litros para ser produzido, diz o documento; 1 quilo de carne, entre 1 mil e 20 mil litros; 1 litro de combustível “verde”, cerca de 2,5 mil litros).
Não é só. A Organização das Nações Unidas para Agricultura e Alimentação (FAO) lembra que, se um ser humano precisa de apenas 3 litros diários para beber, precisará de cerca de 3mil litros por dia para produzir sua alimentação – o que pode elevar o consumo total, em casa e fora dela, para 4 mil litros por dia por pessoa.
Tem mais. Doenças veiculadas pela água são a segunda causa de morte de crianças com menos de 5 anos: 4,2 mil por dia. Dessas crianças, 125 milhões vivem em casas sem água potável de boa qualidade; 23% da população mundial defeca ao ar livre, porque não dispõe de instalações sanitárias nem de redes de esgoto – o que leva a ONU a concluir que, se o saneamento fosse universalizado, seriam reduzidas em 32% as doenças diarreicas, que matam, junto com outras veiculadas pela água, 1,7 milhão de pessoas por ano (no Brasil, perto de 80% das internações pediátricas e das consultas na rede pública se devem a essas doenças).
Reduzir esses dramas e caminhar em direção aos Objetivos do Milênio exigirá enfrentar muitos condicionantes: o aumento da população; as regras para compartilhamento dos aquíferos pelos vários países; impedir que mudanças do clima façam ainda mais vítimas entre os pobres e continuem a derreter os gelos das montanhas, que abastecem centenas de milhões de pessoas; a crise econômica global, que restringe recursos.
Também exigirá novas tecnologias, mudanças no padrão de consumo e no mercado de alimentos e mais planejamento, controle da poluição, regras para expansão urbana desordenada e redução do desmatamento.
A situação brasileira, nesse quadro, poderia ser até privilegiada, já que dispomos de 12% do fluxo superficial de água no mundo, além de grandes depósitos subterrâneos. Mas além da distribuição geográfica da água ser muito desigual (72% na Amazônia, 6% no Sudeste), diz a Agência Nacional de Águas, há anos que todas as nossas bacias hidrográficas, da Bahia ao Sul do País, estão em“situação crítica” por causa de poluição, desperdício ou conflitos pelo uso.
E a situação do abastecimento de água e saneamento continua dramática. Segundo o Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), são 34,5 milhões de pessoas (28,6% da população urbana) que não dispõem de redes de coleta de esgotos, mas se a elas se acrescentarem os que contam apenas com fossas, chega-se perto de 50%. Quase 10% não têm suas casas ligadas a redes de abastecimento de água. Mas a “universalização” das redes de esgotos e de água só acontecerá em 20 anos.
Apesar disso, estamos devolvendo R$ 202 milhões ao Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID) porque não fomos capazes de fazer licitações e cumprir outras exigências. E tudo isso sem entrar no terreno do tratamento de esgotos, já que apenas pouco mais de 20% dos esgotos coletados recebem algum tratamento (em geral, apenas primário, que devolve 50% da carga orgânica aos rios, onde são a causa principal de poluição). Ou no terreno da perda de água, que está acima de 40% nas maiores cidades brasileiras.
Pode haver encaminhamentos, claro. Os recursos para o saneamento têm de aumentar. É possível ampliar as redes de coleta com menos gastos se se adotar em maior escala o sistema de ramais condominiais (que já atendem a 15 milhões de pessoas, inclusive grande parte de Brasília). Para reduzir as perdas de água, é indispensável criar nos bancos públicos sistemas de financiamento para recuperação e manutenção das redes (hoje só se financiam novas barragens, adutoras e estações de tratamento, muitas vezes mais caras).
Urge implantar os comitês de gestão de bacias em todo o País (só dois funcionam hoje) e a exigência de pagamento pelo uso da água (com os recursos daí advindos aplicados na própria bacia).
Deixar, o Tesouro Nacional, de contingenciar recursos dos comitês. Disciplinar o uso de águas por pivôs centrais, que em grande parte desperdiçam metade do que retiram dos mananciais. Reciclagem e reúso da água têm de se tornar rotina. Nas cidades, é fundamental exigir a retenção de água de chuva em cada imóvel e usá-la inclusive nos sistemas sanitários (ajudando também a reduzir as enchentes). Ampliar para todo o País o sistema adotado em São Paulo, de individualizar as contas nas habitações coletivas, para estimular a economia (é preciso ter também faixas mais diferenciadas para o consumo, pelo mesmo motivo).
Enfim, são muitos caminhos. Não se pode perder mais tempo diante da gravidade do quadro."
Washington Novaes é jornalista. E-mail: wlrnovaes@uol.com.br

Isso é educomunicação: questionando atitudes, utilizando video



Alunos do projeto Do Giz ao Pixel - Ampliando o Leque na Sala de Aula - mantido pelo Centro de Criação de Imagem Popular, no Rio de Janeiro, produziram videos como esse.

A garotada se empodera, mesmo, das ferramentas, e dá o recado de uma forma tão bacana quanto uma equipe de profissionais de TV...

Um jeito de construir o diálogo e estruturar as idéias

A jornalista Vivianne Amaral esteve no Seminário Sociedade em Rede e Educação e registrou suas impressões sobre o evento no site Mídia Social. Clique aqui para ler a matéria completa.

Segundo a jornalista, a inspiração de tudo foi a percepção de que “as formas, as instituições e os processos educativos que ainda remanescem foram pensados para um tipo de sociedade (hierárquica, de massa) que está deixando rapidamente de existir à medida que emerge, nos dias que correm, uma sociedade cuja morfologia e a dinâmica já são, em grande parte, as de uma rede distribuída (a chamada sociedade-rede)".

O que ela mais destacou, no entanto, foi como as discussões rolaram para chegar ao relatório final que você vê no site. Abordando as linhas "inteligência, generosidade e colaboração", palestrantes como o educador José Pacheco não falaram simplesmente sozinhos - e sim, conversaram com os presentes sobre redes e trabalhos colaborativos, tecendo uma rede de idéias que serão posteriormente utilizados em projetos do Instituto Vivo.

Um dos projetos levou a seguinte pergutna aos participantes: "qual o modelo de educação para desenvolver um projeto educativo envolvendo 13 comunidades na região amazônica utilizando as tecnologias móveis, e num cenário onde alguns alunos ficam durante 15 dias em uma “zona escolar” e outros 15 dias em casa com sua família". Um desafio, não?

Poema em homenagem às aguas - amazônicas

Águas da Amazônia

São como veias no mapa
Derramando-se por linhas, relevos e nomes.
Jari, Madeira, Tapajós, Amazonas
Pedras, espuma, remanso, beirada.

O barquinho, perdido na imensidão dessas águas,
De perto, sem margens, sem fim.
Tem rio na Amazônia que não se vê o lado de lá,
Cada rio que parece vazar do coração do mundo.

Rádio ajuda na educação... de forma inusitada

Reportagem do jornal O Estado de São Paulo, sobre o Índice de Desenvolvimento da Educação em São Paulo, traz os resultados do Saresp, a avaliação do estado sobre as escolas. Ourinhos ficou em primeiro lugar, São João da Barra em segundo, e Caraguatatuba em terceiro.

Detalhe interessante da reportagem: o município de São João da Barra fez convênio com uma emissora local e os alunos da rede de ensino que faltam à escola, são chamados através da rádio...

Diga não ao bloqueio de blogs!

Vira e mexe quem é da área de educação ambiental e trabalha para alguma instituição pública ou empresa me avisa que não pode promover um trabalho de educomunicação utilizando um blog - simplesmente porque a instituição proibe o acesso a blogs nos computadores internos.
Isso vai contra um dos preceitos da educomunicação, que é o da difusão e democratização dos meios de informação. e preocupa os blogueiros sérios, que utilizam a ferramenta blog como meio de trabalho, de interatividade, ou finalidade educativa.

Segundo o site Informação Virtual, que está encabeçando a campanha Diga Não ao Bloqueio de Blogs, muitos empresários e profissionais de TI justificam a proibição por acreditar que "a função dos blogs é disponibilizar downloads de programas e filmes piratas, que geralmente trazem junto com eles algum vírus ou código malicioso que infecta a rede corporativa". Outros, em "off", informam que simplesmente restringem tudo que distraia o funcionário.

Será que o universo corporativo poderia ser mais flexível, especialmente entre quem trabalha com educação e comunicação? Será que os especialistas já não têm formas de bloquear sites e blogs de conteúdo realmente negativo e prejudicial ao ambiente corporativo? E mais: se a empresa acha que todo esse universo virtual distrai, que tal promover uma mudança de postura dos funcionários, criando palestras, códigos internos de netiqueta, entre outros?

Se você tiver algum relato sobre como a sua empresa encara as ferramentas de interatividade pela internet, deixe seu comentário. E participe da campanha, postando sobre o tema em seu blog, disparando e-mails sobre o tema ou educamente sugerindo ao seu chefe que reveja os seus conceitos...
Boa sorte!

Seminário de educação e tecnologia em SP terá cobertura ao vivo da garotada


É possível usar o celular como instrumento de educomunicação? É uma das perguntas que serão debatidas no seminário A Sociedade em Rede e a Educação, em São Paulo, no dia 19 de março. Leia mais sobre o evento clicando na página do Instituto Vivo no Ning (outro dia eu escrevo sobre esse tal de Ning, há pouco tempo descobri de verdade essa ferramenta de rede social).

A garotada da escola municipal Teodomiro Monteiro do Amaral, de Capão Redondo (SP), fará a cobertura via Blogando Nas Ondas do Rádio. Acompanhe pelo blog, que também terá esquema de videoconferência para acompanhar o seminário.

Falando ainda em ferramentas tecnológicas que ainda não adicionei ao blog (é muita informação!), a turma também irá enviar torpedinhos com notícias da cobertura através do Twitter. É só entrar na página do Nas Ondas do Rádio e conferir!

Saramago para crianças


Para finalizar bem esse domingo com uma história antes de dormir, aí vai um conto infantil narrado pelo próprio autor: José Saramago propõe uma reflexão sobre o individualismo...

Boa noite!


Blogueiros encontram formas carinhosas de se conhecer e assim agitar as relações sociais dentro do mundo virtual. Não sei como começou mas o Prêmio Dardos é uma dessas iniciativas - disfarçada de "concurso" dos melhores blogs, no caso educativos. E assim, forma-se uma rede...

Funciona assim: alguém indica você para receber o prêmio - agradeço à professora Thaíza, do
Quimilokos - e o indicado tem que exibir o logo acima no seu blog, linkando-o ao website de quem lhe deu a indicação. Depois, tem que escolher 15 blogs para entregar o prêmio, e avisar os escolhidos.

Então, aí vão os meus queridos companheiros de cyberativismo, coleguinhas "verdes" que propagam a educação ambiental e a comunicação. Com vocês, minhas indicações ao Prêmio Dardos:

1) Blog do
Fábio Deboni - Fonte preciosa de informações desse educador ambiental de Brasília. O engraçado é que já fui pra lá umas três vezes, em eventos da "turminha" e nunca encontrei com ele...

2)
Ecobservatório - Mantido pelo educador ambiental, jornalista e surfista João Malavolta, de Itanhaém. É atualizado quase diariamente com notícias que nem sempre saem nos jornais.

3)
Atitude Verde - Outro colega jornalista, o Iberê Tenório, que mantém posts curtos e certeiros sobre meio ambiente. Às vezes ela coloca fotos de suas viagens pela natureza (será que a última é Itatiaia?).

4)
Palavra Aberta - Da professora Gladys, lá de Joinville. Foi um primeiros blogs que vi funcionando com interatividade quase absoluta entre os alunos. Essa guerreira me mostrou que o universo virtual é ilimitado e difícil pelos excessos, mas que dá pra casar educação e internet. Não à toa, ela vive ganhando prêmios...

5)
Progresso Verde - Nosso colega gaúcho é engenheiro florestal de Santa Maria, mas mora em Rondônia e trabalha no Ibama. Sempre traz referências sobre novas tecnologias para o bem do planeta... mas o prêmio vai por uma iniciativa muito bacana que ele criou, o Super Trunfo Árvores Brasileiras. Quem tem mais de 30 sabe desse jogo de baralho... e não é que o cara inventou um com tema ecológico? Detalhe: ele libera o uso, gratuitamente, para quem quiser.

6)
Blogando nas Ondas do Rádio - Quem trabalha com educomunicação em São Paulo com certeza conhece o blog do professor Carlos. Tudo o que você precisa pra montar rádio virtual na escola, em casa ou em qualquer outro lugar, tem aqui. Com milhares de links, video-aulas e é claro, links para programas de rádio feito por crianças e adolescentes.

7)
Diário do Professor - Declev é biólogo e educador ambiental no Rio de Janeiro e mistura apaixonadas opiniões sobre o mundo com boas dicas e apresentações para quem trabalha com educação ambiental.

8)
Márcio Prado - Amigo de longa data, fotógrafo, educador ambiental, montanhista, poeta, marido da Dani e futuro papai. Poesia e fotografia de natureza são o mote de seu blog e uma pausa no dia-a-dia tumultuado.

9)
Odisséia Literária - Não sei se é blog, ou site... mas tem uma pegada de blog esse espaço virtual de crítica literária. É bem escrito (às vezes meio intelectual demais pro meu pobre e mortal gosto de jornalista), mas tem umas pegadas bem bacanas. Além de entrevistas exclusivas, como a com o escritor Daniel Galera (não sabe quem é? Clique aqui).

10)
Destemperados - Nem só de meio ambiente vive o homem... eu adoro gastronomia, adoro comer, adoro viajar e conhecer um prato diferente, mas detesto gente metida que entende tudo que é nome de vinho e prefere citar restaurantes famosos. E costumava gostar de escrever sobre comida. É por isso que indico esse blog, feito a várias mãos em Porto Alegre (saudades de POA) e, pelo jeito, com patrocínio e tudo...

11)
Seja Bem Vinho - A jornalista Cris Couto é editora da Revista Mesa mas estudou história para escrever gastronomia. Ou seja, não fica só dizendo se o prato veio quente ou se o bife estava mal passado. Chegou do México há pouco tempo - que inveja! - e fotografou todas aquelas comidas coloridas. É a típica viajante gourmet, e como coansegue ter tão magrinha?
12) Quimilokos - Não é porque a professora Thaiza me elegeu não... é porque acho bacana a frase "de químico e louco todo mundo tem um pouco", e porque o blog dela é um caos! Tudo é tão certinho na internet, é bom ver um pouco de bagunça organizada. Ela usa o blog pra se comunicar com seus alunos e outros professores, e também fala algumas vezes sobre meio ambiente... química tem tudo a ver com meio ambiente!
13) Gibiteca - Eu adoro desenho animado e história em quadrinho. E é bacana acompanhar o trabalho da professora Natania Nogueira, lá de Leopoldina (MG). Ela formou uma gibiteca e em sua escola e indica vários blogs e sites muito bacanas. Confiram!
14) Altino Machado - O jornalista é acreano, mora por lá e só assim pra gente ficar sabendo o que se passa nos rincões da Amazônia. Se cada estado tivesse um blogueiro-jornalista que escreve bem como ele e admite seus erros... conheci o Altino em um evento para jornalistas em Sampa. É um apaixonado pela floresta e por política, como quase todo bom jornalista que conheço. Como não tem papas na língua creio que arruma muitos inimigos... mas tem amigos a distância, que apóiam a tua causa!
15) Roedores de Livros - Não conheço Tino e Ana Paula, autores desse projeto lindo nos arredores de Brasília. Uma biblioteca infantil, com contadores de história, música, e esse blog lindo com sinopses de livros infantis que são como se fossem novas histórias. Vocês ainda terão um livro meu resenhado por vocês, queridos amigos virtuais!
16) Educação Ambiental em Goiás - Era pra indicar só 15, mas não poderia deixar o Wagner Oliveira fora da lista. Esse jornalista e educador ambiental "pendurou" links para várias publicações pedagógicas sobre meio ambiente, facilitando, e muito nosso trabalho.

Boi x Mudanças Climáticas: um contraponto

Saiu hoje (13/03/2008) um texto do jornalista Washington Novaes no jornal O Estado de São Paulo, sobre a questão dos bois e do aquecimento global.

Mitos e estranhezas a parte, ele lembra que é verdade: arrotos e flatulência (o pum) de animais como bois e ovelhas trazem gás metano, que em grandes quantidades pode ser mais danoso que o dióxido de carbono, apontado como grande contribuinte ao efeito estufa e, consequentemente, ao aquecimento global.


Estamos na era do excesso de informações, sobretudo relacionadas ao meio ambiente. O secretário de Meio Ambiente do Estado de São Paulo, Xico Graziano, fez até piada sobre isso durante um evento do site Planeta Sustentável, lembrando que há muitos achismos nessa área. Entretanto, uma coisa é certa: sem investimentos em tecnologia não há como enfrentar as Mudanças Climáticas de verdade - deixar de comer carne simplesmente não é suficiente, assim como diversas outras posturas individuais não o são, sozinhas.

Washington Novaes lembra que o Emprapa de Jaguariúna, por exemplo, é uma instituição de pesquisa que está preocupada em dar uma solução: eles pesquisam variedades de capim para pasto que produzem menos metano.

Recursos tecnológicos e incentivo para isso foram os principais temas levantados pelo estudo da consultoria Mckinsey. Para eles, o Brasil tem potencial para ser um dos líderes na redução de emissões. Embora a apresentação do estudo tenha sido bem técnica e focada em números, dá para perceber que ainda há muito o que avançar, comendo seu bife de cada dia, ou não...

- Leia mais sobre o estudo da Mckinsey no especial do site Planeta Sustentável.
- Clique aqui para ler o texto de Washington Novaes: O Boi e a Ovelha.


Gado x Mudanças Climáticas: a imprensa na mira



Confesso que nutro a mínima simpatia por Arnaldo Jabor, apesar de escutá-lo diariamente na rádio CBN, meu vício de jornalista. Mas devo confessar também que ele acertou em um dos meus "calos" no quesito imprensa e meio ambiente.

Nesse áudio que já foi ao ar há algum tempo, ele recorda, abismado, o que muitos jornais divulgam por aí: que comer carne induz ao aumento do aquecimento global... não sou cientista e já bati boca com muitos colegas por aí sobre esse tema, e do qual já falei muito nesse blog.

Mitos e verdades a partir, as quais não vou discutir aqui, vale refletir sobre as palavras do cronista: será que tudo que anda saindo sobre o assunto vale a pena ser digerido?

Nesse caso, será que deixar de comer carne vai contribuir para diminuir o efeito estufa? Eu tenho lá minhas dúvidas... já conversei com cientistas que discordam disso. Não há verdades absolutas na ciência e muito menos nas questões ambientais da atualidade.

Mas há, sim, uma grande constatação: é preciso parar para pensar no consumo. De carne, de remédios, de roupas, de carros, até mesmo de cultura. É o tal consumo consciente, que a ong Akatu tanto martela, e com razão. É isso que vai mudar o mundo. E não tão somente os puns das vacas e dois bois, como diria Jabor.

Essa visão dos dois lados da moeda não tem a ver só com boas práticas do jornalismo. Tem a ver, também, com as práticas positivas da educação ambiental. Está lá no Tratado de EA: " a educação ambiental deve ter como base o pensamento crítico e inovador".

Em tempo: aviso aos vegetarianos que devem estar horrorizados com o meu texto (como a Gabis, do Verdedentro) que estou tentando não comer mais carne vermelha. Ainda não consigo plenamente - parei no frango, no peixe e nos ovos - mas vacas e porquinhos não constam mais do meu cardápio há duas semanas.

Pássaros na gaiola: vale a pena?


As fotos são do site O Eco, mas a dica é do colega Germano, do Instituto Rã-Bugio, de Jaraguá do Sul.

O Parque Nacional da Serra dos Órgãos, em Teresópolis, lançou a Campanha Pássaro Legal é Pássaro Solto, onde artistas plásticos realizaram uma perfomance, instalando-se dentro de gaiolas. É uma maneira interessante de chocar a população da região, onde só este ano foram apreendidos 600 pássaros dentro da área do parque.

O colega Germano aproveita para lembrar um poema de Olavo Bilac, escrito há cerca de 100 anos, justamente sobre a prisão em uma gaiola... para quem não lembra, o poeta é autor, também, do Hino da Bandeira.

É lindo, arrebatador - e atual...


O Pássaro Cativo

Armas, num galho de árvore, o alçapão;
E, em breve, uma avezinha descuidada,
Batendo as asas cai na escravidão.

Dás-lhe então, por esplêndida morada,
A gaiola dourada;
Dás-lhe alpiste, e água fresca, e ovos, e tudo:

Porque é que, tendo tudo, há de ficar
O passarinho mudo, Arrepiado e triste, sem cantar?
É que, crença, os pássaros não falam.
Só gorjeando a sua dor exalam,
Sem que os homens os possam entender;
Se os pássaros falassem,
Talvez os teus ouvidos escutassem
Este cativo pássaro dizer:
"Não quero o teu alpiste!
Gosto mais do alimento que procuro
Na mata livre em que a voar me viste;
Tenho água fresca num recanto escuro

Da selva em que nasci;
Da mata entre os verdores,
Tenho frutos e flores,
Sem precisar de ti!

Não quero a tua esplêndida gaiola!
Pois nenhuma riqueza me consola
De haver perdido aquilo que perdi ...

Prefiro o ninho humilde, construído
De folhas secas, plácido, e escondido
Entre os galhos das árvores amigas ...

Solta-me ao vento e ao sol!
Com que direito à escravidão me obrigas?
Quero saudar as pompas do arrebol!

Quero, ao cair da tarde,
Entoar minhas tristíssimas cantigas!

Por que me prendes?
Solta-me covarde!
Deus me deu por gaiola a imensidade:
Não me roubes a minha liberdade ...
Quero voar! voar! ... "
Estas cousas o pássaro diria,
Se pudesse falar.

E a tua alma, criança, tremeria,
Vendo tanta aflição:
E a tua mão tremendo, lhe abriria
A porta da prisão...

Expedição pelos rincões do Brasil... dá para melhorar



Ainda falando sobre o tema do desenvolvimento: os jornalistas Alexandre Apsan Frediani e Gustavo Pellizzon estão desde no ano passado no interior do Brasil, perguntando a comunidades O que tem que mudar no Brasil Para a Sua dar Uma Melhorada?

No projeto, organizado pelo Programa das Nações Unidas Para o Desenvolvimento, a dupla está passando por 10 municípios de menor Índice de Desenvolvimento Humano (IDH). São lugares como Traipus (AL), às margens do Rio São Francisco, como mostra o video acima.

Segundo o blog da dupla, "nossas atividades em campo almejam valorizar o ser humano, suas capacidades e potencialidades. É a força, os sorrisos, a esperança, a solidariedade, as invenções que as pessoas fazem para reinventar a vida mesmo em sua condição mais sofrida".

Conheça os relatos dessa viagem no Blog Pode Mudar.

Participem: Programa das Nações Unidas Para o Desenvolvimento (PNUD) em consulta pública

O órgão, ligado às Nações Unidas, lançou no início de março a campanha Brasil Ponto a Ponto, abrindo a comunidade a escolha do tema do próximo Relatório de Desenvolvimento Humano Brasileiro - que será publicado em 2010.

O PNUD publica esses relatórios utilizando como base o Índice de Desenvolvimento Humano (IDH), que é publicado anualmente. É uma espécie de cálculo que propõe levar em consideração não só a economia do país (como é o caso do PIB, Produto Interno Bruto), mas também números relacionados ao acesso à saúde, educação, cultura, entre outros.

Não é fácil entender os meandros do IDH, mas um processo de consulta a esse tipo de publicação pode ajudar a dar uma "cara" diferente a esse tipo de Relatório. No site do Pnud há publicações preciosas desse gênero - o último, lançado ano passado, traz como tema, "combater a mudança do clima: solidariedade humana em um mundo dividido".

Para a escola, é um gancho interessante para discutir os rumos do desenvolvimento e (re) pensar o que isso significa. Entre 16 e 21 de março, escolas de todo o Brasil poderão utilizar o site do projeto para registrar as reflexões de seus alunos. Quem quiser mais informações pode escrever para rdh@undp.org.br .

E quem não está na escola? Participe através do Portal do Voluntário.

Tinta de terra, resgate da criatividade humana

É impressionante ficar imaginando a evolução da humanidade e quantas cadeiras de pensamentos foram necessárias para criar tanta tecnologia que temos atualmente... mas é bacana ver que tem gente resgatando técnicas primitivas de forma igualmente criativa, como no blog Tintas de Terra - Para Quem Está Atento à Poesia do Planeta.

Tinta de terra? Isso mesmo, como nossos povos pré-históricos deixaram suas mensagens eternas pelo planeta - lembra da Serra da Capivara? Sim. um grupo de educadoras de um projeto chamado Sementinha, em Araçuaí (interior de Minas Gerais), trouxeram a técnica a uma escola na periferia de Santo André por meio de oficinas. O resultado está nesse vídeo e no blog.

A blogueira Taynã explica, poeticamente, como é uma delícia desenvolver o olhar para encontrar tons diferenciados de terra para desenvolver uma paleta múltipla de cores. Quem quiser saber mais sobre o tema encontra links no próprio blog. Também há uma cartilha elaborada pela Universidade Federal de Viçosa, que ensina a produzir essas tintas - acesse aqui.

Costumamos valorizar o verde da mata e o azul das águas como símbolos da natureza, e não enxergamos a terra e seus tons que são a base da vida nesse planeta... parabéns a quem difunde as tintas de terra como mais uma das formas de mostrar que arte pode estar a serviço da poesia, do belo, e da preservação ambiental por tabela!

Música para conhecer o mundo


"Les Couleurs du The" (Intro) from Toni Polo on Vimeo.

Um achado do colega Carlos, do Blogando nas Ondas do Rádio: o site Groovalizacion - Web-Rádio, projeto de um programa de rádio espanhol que tem a pretensão de "promover a integração e o diálogo sobre temas da atualidade nas nossas sociedades mestiças".

Música de tudo que é canto do planeta, que não se ouve por aí e muitos videos são o forte do site. Acima, um documentário sobre a musicalidade do Marrocos, onde a juventude quer mudanças mas também valoriza a cultura tradicional.

O espetáculo da vida, por Augusto Cury

Para animar os empreendedores socioambientais, que acreditam em ganhar dinheiro fazendo o que gostam e ajudando pessoas a melhorar e valorizar seu ambiente, uma mensagem de ânimo do psiquiatra e escritor Augusto Cury... vem do livro Revolucione Sua Qualidade de Vida (Ed. Sextante).

"Que você seja um grande empreendedor.
Quando empreender, não tenha medo de falhar.
Quando falhar, não tenha receio de chorar.
Quando chorar, repense a sua vida, mas não recue.
Dê sempre uma nova chance para si mesmo.

Encontre um oásis em seu deserto.
Os perdedores vêem os raios.
Os vencedores vêem a chuva e a oportunidade de cultivar.
Os perdedores paralisam-se diante das perdas e dos fracassos.
Os vencedores começam tudo de novo.

Saiba que o maior carrasco do ser humano é ele mesmo.
Não seja escravo dos seus pensamentos negativos.
Liberte-se da prisão maior do mundo: o cárcere da emoção.
O destino raramente é inevitável, mas sim uma escolha.
Escolha ser um ser humano consciente, livre e inteligente.

Sua vida é mais importante do que todo o ouro do mundo.
Mais bela que as estrelas: obra-prima do autor da vida.
Apesar dos seus defeitos, você não é um número na multidão.
Ninguém é igual a você no palco da vida.
Você é um ser humano insubstituível.

Por isso eu, Augusto Cury, desejo que você
Jamais desista das pessoas que ama.
Jamais desista de ser feliz.
Lute sempre pelos seus sonhos.
Seja profundamente apaixonado pela vida.
Pois a vida é um espetáculo imperdível."

Quadrinhos, um jeito divertido de ensinar meio ambiente

A tirinha acima faz parte do projeto Edu HQ, mantido pelo Centro Brasileiro de Pesquisas Físicas, e mantém um acervo com centenas de quadrinhos e pequenas animações, muitas delas feitas por crianças. No item meio ambiente há 173 tirinhas como essa.

Trabalhar com quadrinhos na sala de aula e no dia-a-dia é uma viagem... pois a partir da brincadeira é possível levantar vários pontos: refletir sobre o recurso de linguagem, o humor, a ironia, pesquisar o que o autor quis dizer, o que há por trás da história.

Já para quem é "gente grande", quadrinhos são sempre um respiro no dia-a-dia... e também ajudam a pensar!

Consumo Consciente na hora das compras

Ainda falando sobre consumo consciente, muito boa a campanha da ong Akatu sobre a questão do desperdício de alimentos. O site especial da campanha tem números assustadores, marca registrada da ong quando se trata de conscientizar o público consumidor.

Fazendo um cálculo rápido sobre quanto eu gasto por mês em compras (200 reais), pouco mais de 66 reais vai direto para a lata do lixo... é preocupante, especialmente para quem mora sozinho e normalmente tem muito mais comida estragando em casa - pela preguiça, pelo excesso na hora das compras.

Acho que a ong falha um pouco quando insiste nos números e não informa sobre como realmente o consumidor pode mudar a postura não só individual, mas toda a cadeia de compras. Falar para usarmos cascas de alimentos na hora de cozinhar parece tão fácil... mas e no que diz respeito ao que o supermercado, o restaurante NÃO faz para diminuir o desperdício? E o fato de não darem soluções para quem, como eu, consome individualmente?

O mesmo não ocorre só com a Akatu não... muitos trabalhos de educação ambiental ainda apontam o dedo para a nossa consciência e não avançaram para as reais soluções, que são complexas, dependem de instâncias governamentais, enfim... precisamos avançar em quais instâncias podemos atuar para melhorar o planeta, e não só nos sentirmos culpados por não fazermos nada concreto, realmente, pra mudar.

Ong lança publicações sobre consumo sustentável

A ong 5 Elementos lança na próxima semana, a coleção Consumo Sustentável e Ação, composta por seis livros criados para promover a cultura da sustentabilidade por meio dos conceitos dos 5Rs: repensar, recusar, reduzir, reutilizar e reciclar. O material é voltado para professores e estudantes de ensino fundamental.

O lançamento será no SESC Pompéia, em São Paulo, nos dias 18 e 21 de março. No dia 21, das 9h30 às 13h30, haverá um "café pedagógico" para professores. Quem quiser participar pode se inscrever pelo telefone 3871-7700 - levando o convite impresso, pode-se trocar por um livro da coleção.

O endereço do SESC Pompéia é rua Clélia, 93, Pompéia, SP.

Educomunicação em Caraguatatuba: confira a carta-compromisso

Terminou, na semana passada, o projeto de educomunicação do Instituto Supereco em Caraguatatuba. Terminou?

Se depender da turma de educomunicadores que se reúnem no blog Educom Caraguá, não. Leiam a carta-compromisso que escreveram e entregaram a comunicadores e jornalistas do litoral norte, durante o evento de encerramento:

Carta-compromisso

Fim de uma etapa!

Nesses últimos meses, fizemos parte de algo inédito em nossas vidas. Foram momentos que ficarão gravados em nossas memórias para sempre. Muitas sementes foram plantadas, muitos frutos foram colhidos. Fizemos coisas que sequer sonhávamos ser capazes. Voamos alto... como os bem-te-vis.

Levamos a sério nossa participação em todos os eventos, reuniões e ações.

Tivemos contato direto com um meio de comunicação maravilhoso, que para muitos andava esquecido, que é o rádio, e gravamos programas dos mais variados, sempre colocando nossa responsabilidade e, acima de tudo, nossos corações em cada um deles. Obrigado por nos darem esta oportunidade tão valiosa.

Obrigado a todos da equipe de educomunicação, pela dedicação que tiveram, e à equipe do Instituto Supereco e seus patrocinadores e apoiadores, pois sem eles nada disso teria sido possível.

Agradeço também à vida, que nos colocou juntos, num mesmo projeto, nos tornando fortes amigos.

Espero que novas etapas se iniciem para muitos de nós, com estes recursos que aprendemos a usar e que elevam o dom de nos comunicar. Por meio das ferramentas de comunicação, demos a nossa contribuição para melhorar nosso meio ambiente – tão carente de cuidados.

De agora em diante, eis nosso compromisso.

Nosso compromisso é de, cada um como célula de um único organismo, que é nossa cidade, ficarmos vigilantes. Cada indivíduo em seu bairro, na observação dos acontecimentos que envolvam as questões socioambientais, e nesse compromisso devemos nos juntar, nos organizar e discutirmos qual o melhor caminho a seguir, mesmo que a questão em pauta não seja no bairro onde vivemos.

Com isso, fazemos valer nosso direito de livre comunicação e, que destes atos, resoluções possam ter êxito e contribuímos, assim, para que nosso meio ambiente tenha aliados de coração, pelo mesmo ideal.

Da mídia e dos comunicadores locais também queremos um compromisso. Gostaríamos que os integrantes da mídia local também se comprometa em nos dar espaço em seus veículos, onde chegaremos organizados e respeitosos.

Queremos que as empresas de comunicação dêem mais espaço às questões socioambientais locais, para estimular a população a participar de ações, se mobilizar, e se conscientizar. E que esse espaço aberto seja também educativo, como uma coluna de dicas de consumo consciente em um jornal, ou um momento ecológico na programação de uma rádio, entre tantos exemplos que podemos sugerir.

Que os veículos mostrem não apenas denúncias, mas projetos, pessoas e ações positivas que estão fazendo a diferença em nosso litoral. E que os comunicadores valorizem as fontes de informação que temos disponíveis em nossa região, como os educadores, os pesquisadores e técnicos que pesquisam e trabalham a favor das questões socioambientais.

Propomos também que os veículos locais e os comunicadores façam parcerias para criar, nas escolas, projetos de rádio, jornal e outras mídias com a participação dos alunos e professores. Assim, nossas crianças e adolescentes tenham voz dentro de suas comunidades, e possam crescer como cidadãos.

A comunicação é um direito humano, universal e fundamental. Ter acesso a infinidade de informações sobre o que devemos e podemos fazer para diminuir nossos impactos, ao rico universo que envolve os temas ambientais em nossa região, e qual o papel de cada órgão público e de cada componente da sociedade civil, é também nosso direito a comunicação.

Que desde agora, todos nós que estamos aqui, nesse encontro, tenhamos a seriedade de cumprirmos todos esses compromissos. Não deixaremos que todo esse nosso trabalho de educomunicação tenha fim, para que nossos esforços não sejam extintos como as várias espécies na natureza que dependem de nosso amor e boa vontade para que continuem sua jornada.

Continuemos, também, a nossa jornada!

Equipe de Educomunicação - Arão Amaral, Celeste Cotrin, Cristiane Demarchi, Eliete Maria, Ivana Pagnota, Lúcia Helena e alunos da EE Avelino Ferreira, Marcos Demarchi, Marília dos Santos Barreiro, Mirellen da Silva Souza e equipe de educomunicação - Carlinhos Paes, Carmen Gatás, Izabel Leão, Débora Menezes, Virgínia Alves e Fernanda Borba
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