Pássaros na gaiola: vale a pena?

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As fotos são do site O Eco, mas a dica é do colega Germano, do Instituto Rã-Bugio, de Jaraguá do Sul.

O Parque Nacional da Serra dos Órgãos, em Teresópolis, lançou a Campanha Pássaro Legal é Pássaro Solto, onde artistas plásticos realizaram uma perfomance, instalando-se dentro de gaiolas. É uma maneira interessante de chocar a população da região, onde só este ano foram apreendidos 600 pássaros dentro da área do parque.

O colega Germano aproveita para lembrar um poema de Olavo Bilac, escrito há cerca de 100 anos, justamente sobre a prisão em uma gaiola... para quem não lembra, o poeta é autor, também, do Hino da Bandeira.

É lindo, arrebatador - e atual...


O Pássaro Cativo

Armas, num galho de árvore, o alçapão;
E, em breve, uma avezinha descuidada,
Batendo as asas cai na escravidão.

Dás-lhe então, por esplêndida morada,
A gaiola dourada;
Dás-lhe alpiste, e água fresca, e ovos, e tudo:

Porque é que, tendo tudo, há de ficar
O passarinho mudo, Arrepiado e triste, sem cantar?
É que, crença, os pássaros não falam.
Só gorjeando a sua dor exalam,
Sem que os homens os possam entender;
Se os pássaros falassem,
Talvez os teus ouvidos escutassem
Este cativo pássaro dizer:
"Não quero o teu alpiste!
Gosto mais do alimento que procuro
Na mata livre em que a voar me viste;
Tenho água fresca num recanto escuro

Da selva em que nasci;
Da mata entre os verdores,
Tenho frutos e flores,
Sem precisar de ti!

Não quero a tua esplêndida gaiola!
Pois nenhuma riqueza me consola
De haver perdido aquilo que perdi ...

Prefiro o ninho humilde, construído
De folhas secas, plácido, e escondido
Entre os galhos das árvores amigas ...

Solta-me ao vento e ao sol!
Com que direito à escravidão me obrigas?
Quero saudar as pompas do arrebol!

Quero, ao cair da tarde,
Entoar minhas tristíssimas cantigas!

Por que me prendes?
Solta-me covarde!
Deus me deu por gaiola a imensidade:
Não me roubes a minha liberdade ...
Quero voar! voar! ... "
Estas cousas o pássaro diria,
Se pudesse falar.

E a tua alma, criança, tremeria,
Vendo tanta aflição:
E a tua mão tremendo, lhe abriria
A porta da prisão...

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