Cobertura educomunicativa da Campus Party

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Ando muito seletiva nesse começo de ano, curtindo a praia do Porto da Barra e questionando o que um colega me disse em São Paulo, de que eu precisava ficar mais antenada, porque há milhares de eventos e coisas rolando com repercussão na rede mundial de computadores. Ora, o que marca nosso século virou lugar comum entre os pesquisadores de comunicação a psicologia e filosofia: dizer que vivemos uma época de excessos de informação.

Esses excessos me deixam com preguiça de entrar em tudo que é site e blog pra ficar por dentro de tudo que outrora, quando morava em Sampa, obrigatoriamente tinha que dar uma espiada. Em resumo, nesse mês de janeiro que intercala chuvas, trovoadas e tardes ensolaradas, deixei de lado o notíciário da TV que só fala nas enchentes e sequer acompanhei a famosa (pelo menos entre nós, que curtimos o mundo virtual) Campus Party, grande encontro de micreiros, interneteiros e afins que passam dias trocando idéias sobre o universo dos computadores e da grande rede. Já cobri a Campus Party para o Educom Verde - os primeiros posts são de 2.008, mas perdi o tesão esse ano de ler mais do mesmo sobre o evento.

Entretanto... sempre aparece alguma coisa diferente na rede que me surpreende. Normalmente, as surpresas não vem dos colegas jornalistas especializados ou blogueiros fissurados. Vem de uma garotada que aproveita esse tipo de evento em São Paulo para exercer seu direito de se expressar, falar e expôr sobre todos os assuntos do jeito que acham melhor. São os alunos da rede pública do município, que felizmente conta com uma lei específica - ou seja, política pública que permite aos estudantes acesso a equipamentos, formação e um funcionário responsável por articular possibilidades de expressão dos alunos junto a eventos como o Campus Party.

O video acima é resultado desse trabalho, que inclui uma super cobertura no blog No ar! Imprensa Jovem. Segundo informações de Carlos Lima, responsável pelo programa Nas Ondas do Rádio, da Prefeitura Municipal de São Paulo, 250 alunos repórteres de dezenas de escolas fotografaram, conversaram, escreveram e filmaram sobre tudo o que rolou. E sabe o que é mais legal? Fizeram aquilo que jornalista normalmente tenta e nem sempre consegue: sair do óbvio e achar pessoas como o estudante Rene Silva Santos, carioca, que tem 11 anos e também atua como repórter. Olha só que massa o blog que ele atua, o Voz da Comunidade, jornal comunitário do Complexo do Alemão.

Parabéns a garotada. Gostaria muito que políticos e patrocinadores bancassem a ida dessa turma para eventos ambientais de grande porte, como reuniões da COP e a futura Rio Mais 20, que ocorrerá ano que vem e promete ser a versão século 21 da ECO-92. 

Eu sinceramente respeito meus colegas jornalistas especializados em meio ambiente, mas como já disse, especializados demais pro conhecimento parco e raso da população. Quem sabe alunos de escolas públicas façam coberturas mais acessíveis, sensibilizando e aproximando cada vez mais a ciência - e porque não, a política - de nós, pobres leitores e internautas, que temos que acompanhar as decisões mundiais a respeito de meio ambiente e sociedade de longe - na tela da televisão e do computador.

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