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Do lixo digital à arte - Parte 1

Você tem um MP3 quebrado, uma impressora encostada por falta de conserto ou baterias antigas de celular? "Mandem para mim, por favor", pede o adolescente Rodrigo Cabral, 17 anos. Personagem encontrado na ala de robótica do Campus Party, o estudante de eletrônica transforma sucata tecnológica em "brinquedos". Em um dos dias do evento, por exemplo, ele criou um carrinho feito com o corpo de cartucho de impressora. Até os fios de suas criações são tiradas do lixo.

Desde criança, Rodrigo sempre gostou de montar e desmontar tudo o que fosse eletrônico em casa. Aos 11 anos montou suas primeiras engenhocas. No terceiro ano de um curso técnico no colegial, o jovem conta que até os professores duvidavam que fosse capaz de construir o protótipo de um carro. Fez, em três dias! O carrinho, que aparece na foto, é sucesso nos corredores do Campus Party. Toca música a partir dos restos de um MP3, tem um walk-talkie que ainda funciona e é movido a controle remoto.

Sua tecnologia rústica, digamos, contrasta com os modernos robôs que estão sendo mostrados no evento. E é justamente aí que Rodrigo ganha mais espaço - para ele mesmo, pois está aprendendo técnicas que vai aplicar em novas experiências, e para nós, participantes do Campus Party, que percebemos: tem muita coisa acontecendo além das paredes da escola, e cabeças inteligentes fora das grandes corporações.

As crianças ficam vidradas em suas invenções. "O que eu faço não se vende em loja", diz Rodrigo, orgulhoso. Sua lição da experiência? "Tive um professor que não podia ver um parafuso no chão que já imaginava mil coisas. Aprendi com ele que tudo é re-utilizável", avisa o rapaz, que afirma: "hoje muito equipamento eletrônico é descartável e as pessoas jogam fora coisas que ainda funcionam, ou podem voltar a funcionar".

Quem quiser fazer doações para Rodrigo pode entrar em contato com o estudante pelo e-mail digodownloads@gmail.com.

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