Escrita educomunicativa pode inspirar novos projetos

Vi no site do Departamento de Comunicações e Artes da ECA/USP e reproduzo integralmente. Espero que inspire novos projetos... há algum tempo comento com colegas de editoras e de instituições socioambientais que vale a pena investir em publicações com metodologia educomunicativa, isto é, que pessoas dito "comuns" participem da pauta a produção efetiva de textos e fotografias. 

Imagine um guia de turismo feito pelos próprios moradores de um município... ou ainda publicações de educação ambiental elaboradas a partir de sugestões e participações efetivas das comunidades locais. Enquanto imaginamos, já tem gente fazendo experiências do gênero. Confira:

Prêmio Funarte - Educomunicação

O jornalista, escritor e professor Edvaldo Pereira Lima, acaba de ganhar o Prêmio Nacional da Funarte por um obra que ele mesmo considera "educomunicativa": "Há algo de um certo lado da educomunicação no projeto: o uso de ferramentas narrativas da comunicação de massa contemporânea (particularmente elementos do Jornalismo Literário) num processo sócio-educativo-cultural", declarou o professor ao receber a notícia do prêmio. Trata-se, na verdade, de um projeto ancorado no método "Escrita Total de redação espontânea", por ele desenvolvido.

Confira os detalhes do projeto e do prêmio

Método de redação espontânea criado pelo escritor, jornalista e professor universitário Edvaldo Pereira Lima, Escrita Total é o eixo de um projeto cultural pioneiro contemplado pelo programa Prêmio Interações Estéticas – Residências Artísticas em Pontos de Cultura da Funarte, órgão do Ministério da Cultura. “Escrita Total: Histórias Espontâneas de Sustentabilidade, Superação e a Arte de Viver”, proposto pelo próprio criador do método, é um dos vencedores do Prêmio edição 2010, categoria Abrangência Nacional, aprovado para realização a partir de janeiro de 2011.

Serão seis meses de atividades no Ponto de Cultura “Laboratório de Poéticas” de Diadema, na Grande São Paulo, com 20 vagas disponíveis para participação presencial e 20 para participação online , gratuita em ambos os casos. “Os participantes serão instrumentalizados a escrever com ferramentas intelectuais do método Escrita Total, ancorando os textos produzidos em um ou mais dos três grupos temáticos – Sustentabilidade, Superação e a Arte de Viver -, sempre a partir de histórias fortemente inspiradas em figuras humanas e casos de suas comunidades”, comenta o autor.

“O projeto oferece uma oportunidade singular de democratização cultural e empoderamento das pessoas através da arte narrativa, graças ao apoio do Prêmio, contribuindo tanto para a melhoria da autoestima quanto para a inspiração transformadora da sociedade”, continua. “Como uma pedrinha lançada ludicamente na superfície de um lago, a intenção é provocar ondas e reverberações que se espalhem, sensibilizando adultos e jovens, homens e mulheres, para atitudes proativas cidadãs. A beleza estética da escrita é colocada em sintonia com o propósito da ampliação de consciência”, completa. Quatro modalidades de textos poderão ser desenvolvidas pelos participantes: conto, poesia, ensaio pessoal e narrativa de não ficção.
O projeto prevê a publicação de um livro, reunindo os melhores textos. Multiplicadores sociais, como professores, são algumas das pessoas visadas pelo projeto, mas poderão participar interessados em geral, com requisitos mínimos de 16 anos de idade, escolaridade de nível primário. As inscrições estarão abertas em breve online no site – www.labpoeticas.org – do Laboratório de Poéticas. O calendário de atividades, com cerca de duas oficinas por mês, será anunciado nos próximos dias.

Edvaldo Pereira Lima é professor (aposentado) da Universidade de São Paulo, cofundador e vice-presidente da Academia Brasileira de Jornalismo Literário, autor de oito livros, dentre os quais Páginas Ampliadas: O Livro-Reportagem Como Extensão do Jornalismo e da Literatura (editora Manole, 2009) e Jornalismo Literário Para Iniciantes (sistema editorial Clube de Autores, 2010). Seu método Escrita Total está publicado em livro em dois formatos: versão de um só volume no sistema editorial Clube de Autores - e versão em três volumes no sistema editorial AgBook, edições respectivas de 2009 e 2010.

O Ponto de Cultura “Laboratório de Poéticas” tem sede na Biblioteca Olíria de Campos Barros, de Diadema. É uma iniciativa da Secretaria Municipal de Cultura, em conjunto com escritores, pesquisadores e artistas em produções independentes e comunitárias, que se reúnem há mais de uma década. Entre suas realizações, ciclos de poesia, filosofia (em parceria com o Núcleo Le Hasard, entidade cultural da cidade que também é Ponto de Cultura), produções de antologias, publicações de cadernos culturais, pesquisas de cordel e espetáculos artísticos. Multicultural por opção, dirigido por voluntários, com ações voltadas tanto a minorias quanto a multiplicadores culturais, definese como “visceralmente ligado a um setor populacional entusiasmado pelo ler e pelo escrever”.

O projeto Escrita Total: Histórias Espontâneas de Sustentabilidade, Superação e a Arte de Viver , contemplado pelo Prêmio Interações Estéticas – Residências Artísticas em Pontos de Cultura 2010, conta com o apoio do Ministério da Cultura, da Secretaria de Cidadania Cultural, do Programa Mais Cultura, do Programa Cultura Viva e da Fundação Nacional das Artes.

Cobertura educomunicativa da Campus Party



Ando muito seletiva nesse começo de ano, curtindo a praia do Porto da Barra e questionando o que um colega me disse em São Paulo, de que eu precisava ficar mais antenada, porque há milhares de eventos e coisas rolando com repercussão na rede mundial de computadores. Ora, o que marca nosso século virou lugar comum entre os pesquisadores de comunicação a psicologia e filosofia: dizer que vivemos uma época de excessos de informação.

Esses excessos me deixam com preguiça de entrar em tudo que é site e blog pra ficar por dentro de tudo que outrora, quando morava em Sampa, obrigatoriamente tinha que dar uma espiada. Em resumo, nesse mês de janeiro que intercala chuvas, trovoadas e tardes ensolaradas, deixei de lado o notíciário da TV que só fala nas enchentes e sequer acompanhei a famosa (pelo menos entre nós, que curtimos o mundo virtual) Campus Party, grande encontro de micreiros, interneteiros e afins que passam dias trocando idéias sobre o universo dos computadores e da grande rede. Já cobri a Campus Party para o Educom Verde - os primeiros posts são de 2.008, mas perdi o tesão esse ano de ler mais do mesmo sobre o evento.

Entretanto... sempre aparece alguma coisa diferente na rede que me surpreende. Normalmente, as surpresas não vem dos colegas jornalistas especializados ou blogueiros fissurados. Vem de uma garotada que aproveita esse tipo de evento em São Paulo para exercer seu direito de se expressar, falar e expôr sobre todos os assuntos do jeito que acham melhor. São os alunos da rede pública do município, que felizmente conta com uma lei específica - ou seja, política pública que permite aos estudantes acesso a equipamentos, formação e um funcionário responsável por articular possibilidades de expressão dos alunos junto a eventos como o Campus Party.

O video acima é resultado desse trabalho, que inclui uma super cobertura no blog No ar! Imprensa Jovem. Segundo informações de Carlos Lima, responsável pelo programa Nas Ondas do Rádio, da Prefeitura Municipal de São Paulo, 250 alunos repórteres de dezenas de escolas fotografaram, conversaram, escreveram e filmaram sobre tudo o que rolou. E sabe o que é mais legal? Fizeram aquilo que jornalista normalmente tenta e nem sempre consegue: sair do óbvio e achar pessoas como o estudante Rene Silva Santos, carioca, que tem 11 anos e também atua como repórter. Olha só que massa o blog que ele atua, o Voz da Comunidade, jornal comunitário do Complexo do Alemão.

Parabéns a garotada. Gostaria muito que políticos e patrocinadores bancassem a ida dessa turma para eventos ambientais de grande porte, como reuniões da COP e a futura Rio Mais 20, que ocorrerá ano que vem e promete ser a versão século 21 da ECO-92. 

Eu sinceramente respeito meus colegas jornalistas especializados em meio ambiente, mas como já disse, especializados demais pro conhecimento parco e raso da população. Quem sabe alunos de escolas públicas façam coberturas mais acessíveis, sensibilizando e aproximando cada vez mais a ciência - e porque não, a política - de nós, pobres leitores e internautas, que temos que acompanhar as decisões mundiais a respeito de meio ambiente e sociedade de longe - na tela da televisão e do computador.

The Hub, uma proposta de trabalho em rede

Revendo os amigos em São Paulo deparei-me com uma idéia que não é nova, mas muito inovadora e que ainda não vi em outras paragens, como aqui em Salvador: trata-se do The Hub, uma espécie de comunidade de jovens empreendedores que se reúnem, virtual e presencialmente, inspirando projetos e formas de colaboração entre si. Maioria dos projetos, esses, focados em questões socioambientais e de comunicação.

Por enquanto, só existe The Hub em São Paulo, mas Porto Alegre, Curitiba, Belo Horizonte e Rio de Janeiro estão adotando a idéia. Em Sampa, há 180 membros que eventualmente utilizam o espaço de um antigo e lindo galpão de 500 metros quadrados, perto da avenida Paulista, com direito a biblioteca, espaço de café-cozinha, internet de alta velocidade, impressora, faz e mobiliário de escritório onde as pessoas podem trabalhar muito próximas.

O local ainda tem espaço para reuniões e cursos, e os membros desse grupo promovem encontros e oficinas em conjunto. A maioria das ações é pensada para promover esses intercâmbios, onde com certeza mais de um sai ganhando.

A iniciativa do The Hub nasceu na Europa e funciona com o financiamento dos membros participantes. Quem quiser pode usar o local como um "escritório de aluguel", cuja diária é de R$ 40, mas é possível se inscrever em pacotes que vão de R$ 50 (com direito a 5 horas de uso do espaço e participação na rede social dos membros) até R$ 665, que lhe dá acesso ao espaço durante todos os dias da semana.

A idéia é interessante para free-lancers e consultores autônomos que trabalham em casa. Não só pela chance de trabalhar em um escritório real, mas pelo estímulo de estar convivendo com pessoas que pensam parecido. O publicitário Diego Gazola, que está estruturando uma empresa de consultoria na área de sustentabilidade (a Muda de Idéia), encontrou parceiros para a produção de um portal sobre o tema ao frequentar o The Hube.

Há muito tempo penso em formas colaborativas de trabalho, que muitas vezes empacam na realidade do sistema capitalista em que vivemos. Muitos encontram nas ongs ou nas cooperativas essas formas de trabalhar e acabam se esbarrando em questões burocráticas ou inerentes mesmo ao ser humano. Quantas vezes vi iniciativas de projetos irem por água abaixo por conflitos entre equipes, diferenças de valores... ainda não participo dessa proposta do The Hub, mas se ela funciona, agregando cabeças em torno de objetivos comuns, mesmo cada um com sua empresa, apóio e espero que o quanto antes essa idéia venha para Salvador!
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