Viajantes

Pausa... pra poesia... a foto é da Ponta do Corumbau, Prado (BA).

"O viajante é aquele que se reconhece em outro viajante.

Nunca está parado; quando em casa vive pensando no próximo destino que o levará pra longe. Ainda que, mesmo longe, vez em quando pense em casa.

A memória do viajante é feita de pequenos fotogramas. Mares, montanhas, riachos. Cheiros, pessoas, bichos, barulhos. Placas. Distâncias.

O viajante se reconhece nas lembranças do outro viajante. Os lugares por onde passaram podem ser milhares, mas cada um tem um canto reservado nas gavetas móveis da memória do coração. Corumbá. Diamantina. São Paulo. Arempebe. Itatiaia. Goiás Velho. Igatu. Rio Grande. Pirenópolis. Alter do Chão. Parati.

Saudade...

Vontade de sair por qualquer estrada com uma mochila bem levinha, uma garrafa de água, um som. Seguindo o rumo sempre em frente, subindo o mapa.
O viajante se reconhece no outro viajante, condenado a um eterno exílio depois de perder o medo da primeira estrada sem rumo definido. Sempre em busca de algo, sempre em movimento."


Prado, setembro de 2009.

Nasceu Tanara, o jornal da Resex Corumbau

Tanara Versao PDF

Um grupo de moradores do entorno da Reserva Extrativista Marinha do Corumbau - Resex Corumbau), no litoral do extremo sul baiano, lançou esta semana o jornal comunitária Tanára - natureza, na língua patxohã, utilizada pelos índios pataxós que vivem na região.

Esse grupo elaborou todo o planejamento do jornal, da discussão de pauta às fotografias e a busca de patrocínio junto aos comerciantes locais. Em oficinas, conversaram sobre o que achariam importante trazer à tona para chamar a atenção das comunidades locais. No editorial, eles avisam: "Tanára chegou para ser voz, informando, dando a oportunidade de pensarmos juntos sobre os anseios e necessidades de uma comunidade dona de uma reserva extrativista".

Vivenciando conflitos, experimentando o planejar e o fazer coletivo e enfrentando o desafio de entender que um jornal serve não só pra se expressar, mas pra conviver com as diferenças entre as pessoas e fortalecer sua comunidade: isso é educomunicação!

O Rappa - Minha Alma

Tem músicas que resumem o que a gente está passando... e pensando na educomunicação, essa do Rappa tem tudo a ver. "Paz sem voz não é paz, é medo". Porque as pessoas se entristecem, reclamam, mas na hora de "gritar" se calam? O que falta pra perder o medo de ter voz? E porque calamos aceitando as desigualdades, o desrespeito?

Comunidades no entorno de UCs em formação sobre jornal comunitário

Motivo do meu sumiço... e da mudança pra Bahia...

O Parque Nacional do Descobrimento e a Reserva Extrativista Marinha de Corumbau, no extremo Sul da Bahia, estão desenvolvendo uma iniciativa de educação ambiental diferenciada na região. Comunidades que vivem no entorno das duas Unidades de Conservação (UCs) estão participando de uma formação para desenvolver jornais comunitários onde os próprios participantes irão produzir textos e fotografias.

O trabalho é desenvolvido por uma consultoria contratada pelo ICMBio (Instituto Chico Mendes), órgão do governo federal responsável pela gestão das UCs, em parceria com o Projeto Corredores Ecológicos/Programa das Nações Unidas Para o Desenvolvimento (PRODOC/PNUD). Ele tem como objetivo estimular o protagonismo, a cidadania e o conhecimento sobre a região.

A estratégia de utilizar a produção de um jornal comunitário para promover educação e mobilização é uma das ferramentas da educomunicação, que se utiliza de metodologias participativas para que os envolvidos se apropriem de um repertório comum de reflexões sobre mobilização social, cidadania, saúde, cultura, educação ambiental, unidades de conservação e suas relações com a comunidade. É o que se chama de “aprender fazendo”.

Essa estratégia faz parte das recomendações do Programa de Educomunicação Socioambiental, do Ministério do Meio Ambiente (MMA), e da Estratégia Nacional de Comunicação e Educação Ambiental (ENCEA), documento que está sendo desenvolvido pelo ICMBio para trazer diretrizes sobre a gestão da comunicação em UCs a serviço da educação ambiental.

A equipe do Parque Nacional do Descobrimento acredita que este projeto irá contribuir bastante na ampliação do nivel de percepção das comunidades sobre a realidade em que elas vivem, o que por si só tem o potencial de possibilitar melhorias nas diferentes áreas.

A formação está sendo realizada em oficinas para as comunidades de Pontinha I, II, Riacho das Ostras e Primeiro de Abril, no Parque Nacional do Descobrimento. Na Resex Corumbau, envolve participantes de Cumuruxatiba, Corumbau, Barra Velha, Veleiro, Imbassuaba e Caraíva. São comunidades de pescadores artesanais e agricultores familiares.

A proposta é que esse grupo planeje a criação do jornal e proponha formas de continuar o projeto por conta própria. O papel da consultoria é o de mediar esse processo, com foco na continuidade do processo de educomunicação pela própria comunidade. Em novembro, está previsto um encontro entre esses repórteres comunitários e os comunicadores da imprensa local, para compartilhar experiências e propôr parcerias

Um pouco sobre as Ucs

Criado em 1999, o Parque Nacional do Descobrimento preserva 21.129 hectares de Mata Atlântica e rios importantes para a região, como o Cahy – um dos primeiros locais do Brasil descoberto pela esquadra de Pedro Álvares Cabral. No entorno do parque há assentamentos de reforma agrária, pescadores, e pequenos e médios produtores rurais.

Já a Reserva Extrativista Marinha do Corumbau é uma área de 90 mil hectares que correspondem a 65 km de praias, localizada no banco dos Abrolhos, criada para a proteção da cultura e meios de vida da população tradicional, formada por famílias pescadoras.

As duas unidades de conservação fazem parte do Corredor Central da Mata Atlântica e do Mosaico de Áreas Protegidas do Extremo Sul da Bahia, que reúnem ainda outras áreas protegidas da região.

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