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Porque me apaixonei pela causa ambiental 5

Márcio Prado é fotógrafo, montanhista, educador ambiental e poeta. Trabalha na ong Outward Bound, que promove vivências socioambientais ao ar livre. Veja suas fotos de natureza no Flickr e leia seus poemas no blog Foto e Poesia.

Por que me apaixonei pela causa ambiental?

Andei pensando por estes dias, tentando lembrar de onde veio meu interesse, admiração e afinidade com a natureza. Viajando no tempo, me toquei, que ainda muito criança, minha mãe me estimulava muito em relação a paisagens, animais, plantas, rios, etc. Meus pais cresceram na roça e ao menos uma vez por mês íamos para sítios na região de Campinas, visitar os familiares de minha mãe. Acho que comecei a desenvolver a necessidade de vida ao ar livre nesta época, quando minhas aventuras eram ir pescar e nadar em rios e lagos, andar por matas e plantações e me entusiasmar nos encontros com a vida silvestre.

Comecei trabalhar aos 15 anos, como officie-boy, e estudava a noite. Eu era um moleque que brincava muito na rua, andava de bicicleta, de skate, etc., e só parava dentro de casa o tempo necessário para fazer as lições de casa. Foi muito brusca a mudança nesta época.

Me afastei um pouco dos amigos da rua, fiz novas amizades na escola. Porém, quando terminei os estudos do segundo grau, meus amigos da rua seguiram caminhos que eu não achava legais. Me vi só, sem amigos, sentia falta de mexer o corpo, de aprender coisas que eu não poderia aprender na escola formal.

Comprei uma bicicleta, comecei a frequentar corridas de mountain bike e comecei a fazer algumas viagens de bicicleta. A natureza me encantava, o desafio de ir longe pedalando minha bike me fascinava. Até comecei a me tornar um eco-chato. Mas, em uma viagem que fiz sozinho, entrei em uma enrascada em um lugarejo chamado Barra do Ararapira, na Ilha de Superagui - litoral da divisa entre São Paulo e Paraná. Aí foi que a natureza se tornou completa em meu conceito. Ví um brilho no olhar daquele que me salvou de uma roubada, conversei, percebi as necessidades daquele homem e das pessoas que lá viviam.

Continuei viajando e minha motivação além de lugares bonitos, passou a ser encontrar pessoas.

É estranho, mas não me vejo engajado em uma causa ambiental intrinsicamente. Há alguns anos, tento me reeducar a cada dia, mudar hábitos próprios. Não peço para que os outros mudem seus costumes. Mostro o que faço e digo o porque.

Trabalhei com ecoturismo e sentia-me realizado quando via que para algumas pessoas, o contato com a natureza fazia tão bem. Vi pessoas perceberem a importância da natureza e do seu papel perante a natureza.

E comigo foi assim, cuidar do meio ambiente foi algo natural. O meio me completa e eu completo o meio. Nós, pessoas, completamos o meio ambiente. Nós o criamos, transformamos e temos que buscar um equilíbrio nesta relação.

Há um ano trabalho diretamente com educação. Não com educação ambiental especificamente, trabalho com uma área que visa o desenvolvimento humano, o caráter, responsabilidades, e consequência dos próprios atos. Trabalho tendo a natureza como sala de aula, e é incrível perceber que não temos muito a ensinar, pois uma relação direta entre pessoas e o ambiente natural ensina por sí só.

A natureza me completa, me faz bem, faz minha alma voar, me trás perguntas e respostas. A natureza me dá forças, me lembra que Deus sempre está presente. Então, quero compartilhar isto.

E é só isto. Quero dividir o que eu encontrei de bom para mim com o próximo.

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