Pular para o conteúdo principal

O Centro de Educação Ambiental do Parque Villa Lobos, em São Paulo


O trânsito, a falta de respeito, a poluição e o barulho me irritam bastante em São Paulo. Mas que bom que existem coisas compensatórias por aqui... uma descoberta recente é o espaço do CEA Villa-Lobos, um centro de educação ambiental que funciona no Parque Villa-Lobos, no Alto de Pinheiros. Não foi ainda? Então vá!

O centro é mantido pela ong 5 Elementos, com patrocínio do Instituto Unibanco
e parceria com a Secretaria do Estado do Meio Ambiente. E o espaço, muito procurado por escolas, é aberto ao grande público. Dá gosto em ver o quanto o local é bem cuidado e convidativo, com direito a canteiro de ervas e hortaliças, várias espécies de árvores identificadas, uma pequena trilha em um bosque e uma biblioteca com 2,5 mil títulos de educação ambiental. Há uma programação cultural regular, com cursos e oficinas, e espaço para o trabalho voluntário. Imagine você, ao lado da tumultuada Marginal Pinheiros, mexendo sossegadamente no canteiro de ervas...

Mas a vocação do CEA, mesmo, é a de atender escolas. Foram mais de 5000 alunos no ano passado, a maioria da zona Oeste paulistana. A equipe de monitores do local faz agendamentos prévios e dialoga com a escola antes da visita, para saber o que os professores estão desenvolvendo sobre educação ambiental na sala de aula e que objetivos pretendem atingir com a visita. Os temas mais procurados: consumo sustentável e reciclagem.

No Parque, a garotada tem uma programação de três horas que inclui a trilha no bosque, parada para o lanche e dinâmicas ao ar livre, a maioria inspiradas no educador Joseph Cornell. E embora recebam muitas informações sobre o tema que a professora propôs antes da visita, o conteúdo é amplo e inclui a curiosa história do Parque – que não abriga uma área verde original, mas construída em 1987 sobre um aterro. “Trabalhamos o fato de que o homem modifica o meio, mas que é possível modificar também de forma positiva, como aconteceu com o parque”, lembra a bióloga Rúbia Silva, coordenadora de comunicação do CEA.

Brincadeiras e diálogos com os monitores são essenciais para que os visitantes das escolas associem o conhecimento que tiveram em sala de aula, sobre água, energia e outros temas ambientais, ao dia-a-dia de suas vidas – afinal, nem sempre o conhecimento escolar se conecta com a vida cotidiana... até a parada para o lanche é um momento educativo: a garotada é orientada a não trazer refrigerantes e salgadinhos industrializados, e ouvem atentamente os monitores conversando sobre como é importante para si mesmo e para o meio ambiente manter o corpo saudável.

Aos mais céticos que enxergam tudo isso como uma “iniciativa linda e maravilhosa, mas que não muda nada”, o aviso de Rúbia: “nosso trabalho no CEA é um reforço na educação ambiental que é para ser desenvolvida na escola. E o objetivo lá na frente é mostrar à criança que ela tem o poder da escolha – escolher o que é melhor para ele, e para o ambiente a sua volta”, diz.

Ou seja: é papel de nós, educadores, oferecer a informação e ajudar a construir um pensamento reflexivo, construindo um novo olhar sobre o mundo que a nova geração pode ou não aceitar. Mas acredite: muitos aceitam, e é nisso que o trabalho do CEA, da 5 Elementos e outras instituições e pessoas buscam incentivo.

Parabéns ao pessoal do CEA Villa-Lobos, por essa surpreendente estrutura física e humana. A quem mora ou não em São Paulo, fica o convite: descubra esse lugar e surpreenda-se também!

Serviço
O CEA fica no Parque Villa-Lobos
– avenida Prof. Fonseca Rodrigues, 2.001, Pinheiros, tel. 3021-6841. Informações pelo e-mail ceavillalobos@5elementos.org.br. O horário de funcionamento é a partir das 8h30, e segue até às 17h. Escolas devem agendar visitas pelo e-mail agendacea@5elementos.org.br. Oficinas e palestras são gratuitas; confira a programação no site da 5 Elementos

Comentários

Postagens mais visitadas deste blog

Desenhos animados ajudam a trabalhar a educação ambiental

Educomunicação é também fazer a leitura crítica da mídia. E tirar dela reflexões para o dia-a-dia, construindo e aumentando o repertório, também, nos eixos temáticos da educação ambiental. A excelente reportagem Faz-de-Conta de Verdade, publicada na revista Página 22, convida a pensar sobre a abordagem ambiental dos desenhos animados, do clássico Bambi a Bee Movie (a abelha inteligente da foto).

Entre os entrevistados da matéria, uma professora da Eastern Illinois University, Robin Murray, as temáticas ligadas à natureza que aparecem em diversos desenhos são, claro, reflexo de nossa cultura atual, onde a problemática ambiental não sai da mídia. Se passam mensagens positivas e fazem efeito sobre a audiência – a garotada e os adultos, que às vezes gostam mais dos desenhos do que as próprias crianças – há controvérsias. Mas muitos educadores acham positivo provocar uma discussão sobre meio ambiente, especialmente com os pequenos, a partir da audição de um desenho animado na escola.

Como o…

Para falar de meio ambiente com as crianças

Despertar o prazer pela leitura e, ao mesmo tempo, passar uma mensagem positiva sobre a natureza, também com prazer. Isso é possível? Para o músico Tino Freitas, do projeto Roedores de Livros, com certeza...

Escrevi sobre o trabalho voluntário do Tino e mais seis "roedores de livros" em Ceilândia (DF) para um especial de leitura da revista Nova Escola. Postei aqui no blog um pouco sobre seu trabalho de contar histórias, ensinar música e arte... e pedi a eles dicas de leitura que tenham a ver com meio ambiente. Olha só o que o Tino nos mandou:
"Dia desses recebemos o convite da Débora Menezes, que cuida com muito carinho do blog Educom Verde, para escrevermos sobre Literatura Infantil, convidando os educadores ambientais a promover a educação ambiental por meio da leitura. Vale à pena explicar que o nosso projeto, o Roedores de Livros, oferece a um grupo de crianças no entorno de Brasília o contato com os livros. Acreditamos que o contato com a Literatura Infantil é uma i…

Educação Ambiental e Comunicação em UCs: tema de dissertação

No dia 21 de agosto de 2015, finalmente apresentei minha dissertação de mestrado "Comunicação e Mobilização na Gestão Participativa de Unidades de Conservação: o Caso da APA da Serra da Mantiqueira", junto ao Laboratório de Jornalismo Avançado da Universidade Estadual de Campinas (Labjor-Unicamp). Tendo o professor Ismar Soares, do Núcleo de Comunicação e Educação da Universidade de São Paulo (NCE-USP) em minha banca, fiquei bastante feliz com suas palavras indicando que "a Educomunicação passa a contar, a partir desta pesquisa, com um importante suporte bibliográfico para entender a área da gestão comunicativa".

A pesquisa foi orientada pela professora Maria das Graças Conde Caldas, jornalista das antigas que também se debruça sobre a relação entre os campos da Educação e da Comunicação. Inquieta com minhas práticas profissionais de Educomunicação, onde muitas vezes vi essa área resumir-se a metodologias e ferramentas midiáticas de suporte para cursos de Educação…