Pular para o conteúdo principal

Plano de aula: Rede dos Bichos

Gosto de guias de viagem e informativos de fauna e flora. São ótimos para viajar sem (ainda) sair de casa ou da escola. E boas referências para trabalhar na sala de aula. A atividade que proponho abaixo surgiu de uma leitura do Guia Ilustrado de Animais do Cerrado de Minas Gerais, publicado pela Empresa das Artes (www.empresadasartes.com.br).

Se você gostou dessa aula (ou não), se a utilizou ou tem sugestões de complemento (sites e outros livros, por exemplo), mande para o e-mail educomverde@yahoo.com.br.

Rede dos Bichos

Atividade indicada para o ensino fundamental 1

Material:
- Guia Ilustrado de Animais do Cerrado de Minas Gerais
- Rolo grande de barbante
- Computador (sala de informática): opcional
- Cartolina, canetinhas, cola
- Cartão com fotos dos animais escolhidos pelas crianças para a atividade final (opcional)

Introdução: objetivos da seqüência de aulas
Seus alunos conhecem os animais do cerrado? Ajude-os a entender a relação desses animais com o meio de uma forma divertida. Durante três aulas, você poderá trabalhar a curiosidade das crianças em relação aos bichos, trazer conhecimento sobre a fauna brasileira e introduzir seus alunos a um dos princípios básicos da metodologia científica, que é a observação. De quebra, os estudantes ainda vão entender, de forma lúdica, sobre como funciona um ecosssistema – onde os animais estão ligados em uma espécie de rede.

Primeira aula

Reúna seus alunos em grupos de cinco pessoas. Cada grupo deve escolher três animais do cerrado e fazer uma pesquisa no guia, para conhecê-los melhor:
- O que esses bichos fazem? Onde vivem?
- O que comem?
- Quais são seus hábitos: gostam de dormir durante o dia e caçar à noite?
- Fazem coisas esquisitas, como cavar buracos no chão?
Peça ainda para as crianças, em casa, entrevistarem seus pais, parentes, vizinhos, sobre esses animais. Eles já viram esses bichos? Onde? O que aconteceu? Como é o som desses bichos – que tipo de barulho fazem?

Segunda aula
Se a escola tiver uma sala de informática, reúna os mesmos grupinhos de três alunos em cada computador e continue a pesquisa sobre os bichos. Aproveite para, no final, dar espaço a pequenas brincadeiras. Direcione as crianças para alguns sites interessantes:

- A Naturoteca do site do Ministério do Ambiente (
http://www.mma.gov.br/port/cgmi/nossoamb/) tem uma área com sons de pássaros, alguns do cerrado.
- O site da Cemig (
www.cemig.com.br), na área de meio ambiente, mantém um mini-site sobre o lobo-guará com fotos, sons e até um quebra-cabeça eletrônico.
- O site da secretaria de meio ambiente recursos hídricos de Goiás (
http://www.semarh.goias.gov.br/quebra/quebra_cabeca_animais1.htm) tem divertidos quebra-cabeças com fotos de animais do cerrado.

Peça para as crianças escreverem num editor de textos tipo Word as informações mais interessantes que encontraram. Ajude-as a encontrar fotos para acrescentar nesse trabalho e imprima o material para ser exposto em um mural-guia. Os depoimentos dos pais, parentes, vizinhos, também entrarão nesse mural.

Se a sua escola não tiver computadores, utilize a pesquisa no Guia do Cerrado e produza com seus alunos cartazes com as fichas dos bichos, onde elas poderão desenhar os animais e escrever o que encontraram de mais interessante sobre eles.

Terceira aula
Aula para as crianças terminarem o mural e pendurarem pela classe. Como atividade final, reúna ainda os grupos das crianças para uma brincadeira: cada grupo vai escolher um dos bichos que pesquisou para representá-lo na frente da turma, mas não vai dizer que animal estão representando – as outras crianças terão que adivinhar! Vale imitar esses bichos (sons, mímicas) e dar algumas informações: o que comem, onde vivem.


Quando as crianças adivinharem de que bicho se trata (ou, se não conseguirem, o próprio grupo avisa a turma sobre que bicho pesquisaram, apontando-o no mural que desenharam), pegue a ponta do barbante e deixe que as crianças desse primeiro grupo o segurem.

No momento da apresentação do segundo grupo, descubra com os alunos se esse animal tem relação com o do primeiro grupo. Por exemplo, se o primeiro bicho foi um lobo-guará e o segundo, um tatu, o lobo come o tatu. Há outras relações menos diretas entre os animais: por exemplo, um pássaro que vive em árvores e, embora um lobo-guará não se alimente de pássaros, ele come frutas – que também são alimento para as aves.

Essas relações na natureza, diretas ou indiretas, serão representadas pelo barbante. Quando o segundo grupo apresentar seu animal, estique o barbante do primeiro grupo até as outras crianças. E assim sucessivamente, até terminarem as apresentações dos animais.

No final da aula, pegue a última ponta do barbante (a que estará no rolo) e peça para as crianças levantarem o barbante no alto. Estará formada, na classe, uma rede, com todos os alunos interligados. É a oportunidade para você explicar a eles as ligações da natureza e o ser humano – representado por você – em uma das pontas. Peça ainda para um ou dois grupos soltarem as pontas do barbante. A rede formada não vai ficar tão bonita – e você poderá mostrar que isso representa o desequilíbrio na natureza, quando uma das pontas dessa rede é desmanchada.

Você pode conduzir a aula com muita imaginação. O importante é ler o guia do cerrado antes, com cuidado, para ajudar a conduzir os alunos nessas relações entre a informação sobre os animais e a sua importância nessa rede!

Comentários

Postagens mais visitadas deste blog

Desenhos animados ajudam a trabalhar a educação ambiental

Educomunicação é também fazer a leitura crítica da mídia. E tirar dela reflexões para o dia-a-dia, construindo e aumentando o repertório, também, nos eixos temáticos da educação ambiental. A excelente reportagem Faz-de-Conta de Verdade, publicada na revista Página 22, convida a pensar sobre a abordagem ambiental dos desenhos animados, do clássico Bambi a Bee Movie (a abelha inteligente da foto).

Entre os entrevistados da matéria, uma professora da Eastern Illinois University, Robin Murray, as temáticas ligadas à natureza que aparecem em diversos desenhos são, claro, reflexo de nossa cultura atual, onde a problemática ambiental não sai da mídia. Se passam mensagens positivas e fazem efeito sobre a audiência – a garotada e os adultos, que às vezes gostam mais dos desenhos do que as próprias crianças – há controvérsias. Mas muitos educadores acham positivo provocar uma discussão sobre meio ambiente, especialmente com os pequenos, a partir da audição de um desenho animado na escola.

Como o…

Para falar de meio ambiente com as crianças

Despertar o prazer pela leitura e, ao mesmo tempo, passar uma mensagem positiva sobre a natureza, também com prazer. Isso é possível? Para o músico Tino Freitas, do projeto Roedores de Livros, com certeza...

Escrevi sobre o trabalho voluntário do Tino e mais seis "roedores de livros" em Ceilândia (DF) para um especial de leitura da revista Nova Escola. Postei aqui no blog um pouco sobre seu trabalho de contar histórias, ensinar música e arte... e pedi a eles dicas de leitura que tenham a ver com meio ambiente. Olha só o que o Tino nos mandou:
"Dia desses recebemos o convite da Débora Menezes, que cuida com muito carinho do blog Educom Verde, para escrevermos sobre Literatura Infantil, convidando os educadores ambientais a promover a educação ambiental por meio da leitura. Vale à pena explicar que o nosso projeto, o Roedores de Livros, oferece a um grupo de crianças no entorno de Brasília o contato com os livros. Acreditamos que o contato com a Literatura Infantil é uma i…

Quadrinhos, um jeito divertido de ensinar meio ambiente

A tirinha acima faz parte do projeto Edu HQ, mantido pelo Centro Brasileiro de Pesquisas Físicas, e mantém um acervo com centenas de quadrinhos e pequenas animações, muitas delas feitas por crianças. No item meio ambiente há 173 tirinhas como essa.

Trabalhar com quadrinhos na sala de aula e no dia-a-dia é uma viagem... pois a partir da brincadeira é possível levantar vários pontos: refletir sobre o recurso de linguagem, o humor, a ironia, pesquisar o que o autor quis dizer, o que há por trás da história.

Já para quem é "gente grande", quadrinhos são sempre um respiro no dia-a-dia... e também ajudam a pensar!