Samburá, o jornal comunitário de Caravelas (BA)

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Como todo bom jornalista, tem duas coisas que eu sou viciada: tomar café e ler jornais, de qualquer parte do Brasil. Mas são os jornais comunitários como O SAMBURÁ, de Caravelas, que eu gosto de colecionar as versões impressas e em PDF (acesse o jornal clicando aqui).

O Samburá é um jornal mensal, produzido há dois anos por moradores da comunidade de Barra, em Caravelas, litoral do Extremo Sul baiano. Era para ser um jornalzinho distribuído apenas aos amigos, e hoje a turma de voluntários que o produzem imprimem três mil exemplares, comercializando algumas propagandas e tendo apoio do Parque Nacional Marinho de Abrolhos e da Reserva Extrativista Marinha do Cassurubá, duas das importantes unidades de conservação da Bahia.

Não há jonalistas na equipe da foto acima. Girlânda Rodrigues, merendeira em uma escola local, gosta de fotografar. Adriene Coelho é pedagoga, Robson Falcão é auxiliar administrativo de um colégio estadual e Edvaldo, responsável pelo editorial, atua nas pastorais da Igreja Católica.

A idéia do jornal nasceu do interesse no resgate da identidade coletiva em Caravelas, pois muitas das tradições e costumes estavam se perdendo. O próprio nome do jornal reflete esse objetivo: samburá é um cesto feito de cipó, tradicionalmente utilizado por pescadores para transportar seu ganha-pão.

Meio ambiente acaba sendo um tema atual em todas as edições, assim como a denúncia da precariedade de serviços públicos na região. A última edição, por exemplo, faz referência a várias festas religiosas tradicionais e explica para a população sobre uma operação de dragagem de um canal, que está sendo realizada em Caravelas.

A vontade do grupo é expandir para outros veículos de comunicação, como video, que começam a produzir, e rádio. Um blog eles também já têm, ajudando a difundir o trabalho com outros grupos de comunicação comunitária. "Queremos nos profissionalizar", diz o grupo.

Fica a dica para o Samburá, e outros grupos que trabalham como comunicação comunitária na região, como o Tanara, do pessoal da Reserva Extrativista Marinha do Corumbau: seria muito interessante fazerem mais intercâmbios, para "troca" de reportagens entre um jornal e outro, por exemplo. Mais ainda se, além de se "profissionalizarem" em produção de mídia, os comunitários tornarem-se formadores em oficinas de educomunicação, reproduzindo com suas comunidades exercícios de leitura crítica - promovendo um olhar atento às mídias.

No futuro - espero eu! Quem sabe os próximos professores de educomunicação do Extremo Sul serão os próprios comunitários...

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