Projeto de EA e educom em saneamento

Notícias de Salvador...

Quem estiver próximo às cidades indicadas, apareça. Iremos trabalhar com educomunicação e comunicação para a mobilização (com ferramentas do mundo virtual, será bem interessante!) E já dá para acompanhar pelo blog e pela rede social NING.


Municípios participantes do
PEAMSS recebem oficinas em julho

As primeiras oficinas do Projeto de Educação Ambiental e Mobilização Social em Saneamento – o PEAMSS começam no dia 28 de julho em cinco municípios baianos: Cícero Dantas, Teofilândia, Iramaia, Ibirapuã e Rafael Jambeiro. Na foto, atividade no município de Ibirapuã, Extremo Sul do Estado.

As inscrições estão abertas e haverá dois momentos de formação em cada localidade inserida no projeto (13 municípios do Estado). O primeiro momento é uma oficina de educação ambiental e educomunicação, realizada no período de quatro dias e meio de atividades.
Entre os temas que serão trabalhados estão: saneamento, políticas públicas, trabalho em rede e coletivos, comunicação e produção de jornal comunitário.

No último dia o grupo de alunos irá promover uma intervenção socioambiental no município – ação rápida, que será planejada durante a oficina. Já o jornal, que será planejado durante a semana a partir do conhecimento adquirido nas atividades, vai ser construído pelos alunos após a formação e lançado em agosto de 2.010.

Uma oficina sobre legislação ambiental é o segundo momento no calendário de formações. Alunos do curso de Direito da UNEB (Universidade do Estado da Bahia) irão trazer informações sobre direito ambiental, leis específicas da área e de saneamento em um dia de atividades por município.

Video sobre a Carta da Terra



Iniciativa da Organização das Nações Unidas em 2.000, a Carta da Terra é um documento construído com a participação de organizações em todo o mundo e traz princípios éticos para a construção de "uma sociedade global justa, sustentável e pacífica", e reconhece que "os objetivos de proteção ecológica, erradicação da pobreza, desenvolvimento econômico eqüitativo, respeito aos direitos humanos, democracia e paz são interdependentes e indivisíveis.

Alguns juristas internacionais passaram a reconhecer este documento como lei branca (soft law, em inglês) - tal como a Declaração Universal dos Direitos Huamnos. Isso significa que a carta é considerada como base para o desenvolvimento de leis para os governos de Estado, caso aceitem adotá-la.

Conheça os princípios da Carta da Terra assistindo ao video da educadora Michele Sáto e traga este documento para o debate nas escolas, nos grupos e movimentos sociais, nas prefeituras. Só assim estes princípios poderão ser incorporados à prática do cotidiano!

Ao Sul da Fronteira e tupinambás: pensando a intenção da notícia

Duas visões sobre a mídia e a construção do pensamento das pessoas convidam a pensar no quanto é possível manipular a opinião pública, seja quando se expressa claramente uma opinião desfavorável, seja omitindo parte dos fatos - e não sei qual dos dois é pior.

No documentário Ao Sul da Fronteira, do cineasta Oliver Stone (assista o trailler clicando aqui), a reflexão é sobre o quanto as lideranças da América Latina tentam não se esquivar perante a hegemonia norte-americana. Mais ainda, o filme tenta mostrar o quanto os Estados Unidos - com uma mídia claramente favorável às políticas internacionais da Casabranca - mostram o presidente da Venezuela Hugo Chavez como ditador e inimigo público número 1.

Postura essa que, no Brasil, é reiterada especialmente pela revista Veja, da Editora Abril, a qual se utiliza de termos de baixo calão para incriminar presidentes, movimentos sociais, ongs, tudo o que vai contra o status quo. Vale lembrar: quem está fora desses ambientes muitas vezes conhece a realidade apenas pela mídia. No caso dos Estados Unidos, idem: milhares de americanos entendendo a América Latina pela ótica da CNN, do New York Times e muitos outros veículos de comunicação.

Enquanto isso, na Bahia, vive-se em proporções menores uma situação que reflete o quanto é difícil confiar na imprensa como fonte de informações. Em Ilhéus, a irmã de uma liderança dos índios Tupinambá foi presa, acusada de "extorsão e formação de quadrilha", segundo notícia do jornal baiano A Tarde.
Ela havia acabado de chegar de Brasília onde, ainda segundo a notícia deste jornal, "teria entregue um documento ao presidente Lula pedindo providências para os tupinambá da Serra do Padeiro, região Sul da Bahia, cuja liderança, o cacique Babau, foi preso há semanas (leia sobre o assunto licando no site do Conselho Indigenista Missionário, o CIMI).

Ora, perseguição a quem causa conflitos nos movimentos sociais é comum em nosso país, e os índigenas, quando organizados, não deixam barato mesmo. O jornal A TARDE foi absolutamente infeliz nessa matéria desde o título - Irmã de cacique "Babau" é presa por extorsão e formação de quadrilha, que nos induz a entender o que? No mínimo que a tal irmã é assaltante ou traficante de drogas... e infelizmente esse é o lado sórdido da imprensa que me dá vergonha de ter diploma de jornalista, já que somos orientados na maioria das vezes, a expôr as pessoas em títulos, em textos, em fotos, de forma a construir um julgamento na cabeça das pessoas em pouquíssimas linhas.

É só lendo a reportagem, lá no final, que entendemos: a prisão dela foi decretada pelo juiz de Buerarema, sua cidade de origem, porque o juiz entendeu que ela participou de uma ação contra a Coelba, empresa do governo baiano responsável pela energia elétrica no Estado. Liderados por seu irmão, os indígenas de uma comunidade apreenderam um caminhão e teriam feito reféns funcionários terceirizados pela empresa, segundo o jornal.

Vamos agora ao site do CIMI, uma fonte de informações totalmente diferente da imprensa convencional, e que de forma, claro, parcial, se posiciona contra o que consideram uma perseguição aos tupinambás. Trazem uma foto de Glicéria que mostra, ela realmente esteve com o presidente Lula (reproduzi a foto logo acima).

Só que tanto essa notícia quanto a anterior não esclarece, de forma mais objetiva, a razão, por exemplo, da prisão do líder Babau, como fez o jornal, alegando a história da Coelba. Aí eu pergunto: esqueceram de citar isso? Ou o que rolou com relação a empresa de energia elétrica não foi bem assim?

Não estou tirando a legitimidade da causa tupinambá, mas questionando os veículos de comunicação, sejam convencionais, sejam alternativos, que não disponibilizam informações suficientes para que façamos a nossa escolha na causa. Somos manipulados sem o nosso consentimento. O que nós resta é ficar sempre com pé atrás e dar o recado as ongs, movimentos sociais e veículos de comunicação comunitária: se querem conquistar pessoas para suas causas justas, precisamos saber fazê-lo, pois concorrer com a imprensa profissional de massa e cheia de recursos pra nos persuadir é grande.

Omitir informação é pior; mais vale nos explicar, e deixar a nosso critério escolher - ou não - imaginar Hugo Chavez e Babau como lideranças que navegam contra a maré de injustiças sociais.

Livro aborda uso do rádio na educação

Os educadores Nelson Pretto e Sandra Pereira Tosta lançaram no dia 1 de junho em Salvador (BA), o livro Do MEB à WEB - O Rádio na Educação (Autêntica Editora, R$ 38). Com prefácio do educador mexicano Guillermo Orozco Gómez - que é referência em reflexões na interface entre educação e comunicação - o livro traz 12 artigos de pesquisadores de todo o Brasil com experiências e estudos no uso da rádio como ferramenta educativa.

A leitura é acessível e traz ao debate não apenas experiências sobre rádios produzidas por alunos, mas leituras sobre produções de foco educativo.

Próximas publicações, no entanto, poderiam trazer ao debate a questão das leis de acesso a informação e democratização dos meios. Muitos projetos de programas de rádio construídos no ambiente escolar ou em oficinas de comunicação comunitária acabam paralisados por falta de espaço concreto para veiculação.

Abrir uma rádio comunitária exige um esforço de mobilização e paciência grande por parte dos interessados. Mas os próprios veículos de comunicação existentes podem - e devem - dar espaço para produções locais, independente de questões políticas. Quem sabe as próximas publicações tragam esse rico universo para garantir que as práticas de rádio na educação avancem...
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